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É, parece que o fim do mundo levou o povo para os cinemas. Segundo o portal G1, o filme 2012 arrecadou a maior bilheteria do fim de semana: US$ 225 milhões no mundo todo, o que faz da película apocalíptica a melhor estreia para um filme original sem franquia e não baseada em livros – isso até a estreia de Lua Nova, essa semana.
E no meio desses US$ 225 milhões estavam os meus 11 reais saídos da carteira do meu namorado. Entrei na sessão e sentei munida de pipoca e guaraná, um programa legal e muita expectativa diante da morte da Terra como a conhecemos. Me desculpem os piratas, mas 2012 simplesmente não é filme que se vê em casa. A sala de cinema fica pequena perto de tanto prédio, ponte, casa e donuts gigantes (!!!) desmoronando. Quando a catástrofe toda começa, respirar fica para segundo plano. E quando finalmente pensamos que o pior passou e poderemos engolir a pipoca: TSUNAMI! Sim, com letras garrafais proporcionais ao tamanho da onda.
Mas, claro, que isso tudo já se viu em outros títulos de Roland Emmerich – diretor de fins do mundo como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã. Só que agora, segundo o próprio Roland, a intenção é levar o espectador a questionamentos sobre a natureza humana, a ganância, o humanismo e a solidariedade. Tudo isso, claro, cercado de muita explosão, desabamentos e TSUNAMI.
Não vou dar grandes pitacos a respeito de roteiro, enredo e diálogos. Não entendo nada disso e não quero falar bobagem. Na minha mais singela e leiga opinião, o filme constroi a história de uma maneira bem feita, mas que não foge do estereótipo desse tipo de filme. Os efeitos são algo a parte que por si só já valem o filme e Jackson Curtis, personagem de John Cusak é, provavelmente, o melhor motorista da história do cinema. Pronto. Parei.

Diretor Roland Emmerich, John Cusack e Chiwetel Ejiofor.
Não, não vou contar o filme, mas uma coisa me incomoda nesse fim do mundo proposto em 2012: no futuro, após o fim derradeiro – sim, porque há vida depois de 2012 -, não há um sobrevivente sequer latinoamericano. Colombianos, chilenos, brasileiros? Pf, esqueça. Gaúchos, então? Nada. Segurem-se às suas bombachas, pois, se o filme está certo, de 2012 não passamos. Sim, ok, arcas no melhor estilo “Noé 2.0″ são criadas, mas nós não entramos nelas. Porque:
1 – Apenas os líderes do G8 sabem da sua existência (ou seja, se te consola, nem Lula se salvava)
2 – Cada ingresso da arca valia 1 bilhão de Euros por pessoa
3 – Mesmo que você tivesse o dinheiro, quem disse que alguém ia avisar a você, um reles brasileirinho da gema, sobre as tais arcas?
Pois é, o filme é bom, vale o ingresso e te leva a pensar. Mas o Cristo Redentor caiu, chimarrão para quê e espanhol é uma língua que provavelmente morreu junto com a Xuxa. O português nem se fala (literalmente). Acho que essa é a nossa sina, afinal. Somos todos hermanos, mas na hora do “salve-se quem puder”, no, we can’t.
Agora, passo a bola para meus coleguinhas! Desculpem, me empolguei, mas com 2012 chegando resolvi falar demais do que ficar sem ser ouvida! ;)
Postado por Cristina Arikawa
