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É, parece que o fim do mundo levou o povo para os cinemas. Segundo o portal G1, o filme 2012 arrecadou a maior bilheteria do fim de semana: US$ 225 milhões no mundo todo, o que faz da película apocalíptica a melhor estreia para um filme original sem franquia e não baseada em livros – isso até a estreia de Lua Nova, essa semana.

E no meio desses US$ 225 milhões estavam os meus 11 reais saídos da carteira do meu namorado. Entrei na sessão e sentei munida de pipoca e guaraná, um programa legal e muita expectativa diante da morte da Terra como a conhecemos. Me desculpem os piratas, mas 2012 simplesmente não é filme que se vê em casa. A sala de cinema fica pequena perto de tanto prédio, ponte, casa e donuts gigantes (!!!) desmoronando. Quando a catástrofe toda começa, respirar fica para segundo plano. E quando finalmente pensamos que o pior passou e poderemos engolir a pipoca: TSUNAMI! Sim, com letras garrafais proporcionais ao tamanho da onda.

Mas, claro, que isso tudo já se viu em outros títulos de Roland Emmerich – diretor de fins do mundo como Independence Day e O Dia Depois de Amanhã. Só que agora, segundo o próprio Roland, a intenção é levar o espectador a questionamentos sobre a natureza humana, a ganância, o humanismo e a solidariedade. Tudo isso, claro, cercado de muita explosão, desabamentos e TSUNAMI.

Não vou dar grandes pitacos a respeito de roteiro, enredo e diálogos. Não entendo nada disso e não quero falar bobagem. Na minha mais singela e leiga opinião, o filme constroi a história de uma maneira bem feita, mas que não foge do estereótipo desse tipo de filme. Os efeitos são algo a parte que por si só já valem o filme e Jackson Curtis, personagem de John Cusak é, provavelmente, o melhor motorista da história do cinema. Pronto. Parei.

Director Roland Emmerich, John Cusack and Chiwetel Ejiofor attend 2012 photocall at the Kursaal Palace during the 57th San Sebastian International Film Festival on September 24, 2009 in San

Diretor Roland Emmerich, John Cusack e Chiwetel Ejiofor.

Não, não vou contar o filme, mas uma coisa me incomoda nesse fim do mundo proposto em 2012: no futuro, após o fim derradeiro – sim, porque há vida depois de 2012 -, não há um sobrevivente sequer latinoamericano. Colombianos, chilenos, brasileiros? Pf, esqueça. Gaúchos, então? Nada. Segurem-se às suas bombachas, pois, se o filme está certo, de 2012 não passamos. Sim, ok, arcas no melhor estilo “Noé 2.0” são criadas, mas nós não entramos nelas. Porque:

1 – Apenas os líderes do G8 sabem da sua existência (ou seja, se te consola, nem Lula se salvava)

2 – Cada ingresso da arca valia 1 bilhão de Euros por pessoa

3 – Mesmo que você tivesse o dinheiro, quem disse que alguém ia avisar a você, um reles brasileirinho da gema, sobre as tais arcas?

Pois é, o filme é bom, vale o ingresso e te leva a pensar. Mas o  Cristo Redentor caiu, chimarrão para quê e espanhol é uma língua que provavelmente morreu junto com a Xuxa. O português nem se fala (literalmente). Acho que essa é a nossa sina, afinal. Somos todos hermanos, mas na hora do “salve-se quem puder”, no, we can’t.

Agora, passo a bola para meus coleguinhas! Desculpem, me empolguei, mas com 2012 chegando resolvi falar demais do que ficar sem ser ouvida! ;)

Postado por Cristina Arikawa

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